quarta-feira, 10 de abril de 2013

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago, 1922 - 2010



Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Gala 11 anos TVI - Rita Guerra & Beto - Brincando com o fogo



Permanecerás sempre nos nossos corações.
Beto, 1967 - 2010

sábado, 22 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Reflexão


para que beleza?



beleza para refletir

no espelho

para contagiar

agir e transformar...

em todos os lugares,

em todos os olhares,

por onde você passar.



beleza para ter leveza,

para a vida inteira.

Para acreditar!


(Autor Desconhecido - saco do O Boticário)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Funeral Blues




"Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado

As estrelas não são mais neessárias;
apague-as uma por uma
Guarda a lua, dismonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era"
(W. H. Audin)
Um dos momentos mais emocionantes do filme "Quatro Casamentos e Um Funeral" acontece quando se recita este poema de W H. Audin. Aliás, o livro "Another Time", deste autor irlandês, esgotou várias edições logo após o sucesso do filme.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)



Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.
(Álvaro de Campos)

Carta (II) de Alexander Pope para Lady Mary Wortley Montagu


Para Lady Mary Wortley Montagu, depois do regresso a Inglaterra, 1719
Possa estar morto ou vós em Yorkshire, porque estarei melhor por vos saber na cidade. Estou doente desde a última vez que vos vi, e agora tenho a cara inchada, e sinto-me muito mal; nada me fará melhor do que ver a querida Lady Mary; quando vierdes para estes lados deixai-me ver-vos, porque em verdade vos amo.

Carta de Alexander Pope para Lady Mary Wortley Montagu


Para Lady Mary Wortley Montagu, Junho de 1717

Senhora,

Se o viver na memória dos outros tem alguma coisa de desejável, é o que tendes, no que me toca, no mais elevado sentido das palavras.

Não há um só dia em que a vossa imagem me não visite; as vossas palavras regressam ao meu pensamento e cada instante, lugar ou ocasião em que me deleitei nelas são vivamente pintados com uma imaginação igualmente afogueada e terna que as possa representar.

Dizeis-me que o prazer de estar perto do sol melhora muito a vossa saúde e ânimo. Vós haveis levado a minha afeição tão para leste que quase posso ser um dos vossos adoradores, porque penso que o sol tem mais razão em se sentir orgulhoso em elevar o vosso ânimo, do que alimentar as plantas e amadurecer todos os minerais da terra.

É minha opinião que um homem sensato possa viajar de boa vontade três ou quatro mil léguas para ver a vossa natureza, e a vossa inteligência, em toda a sua perfeição. O que não imaginar de alguém que viajou pela mais perfeita parte do mundo, e que pelo sol melhora a cada dia na outra! Se vós não escreveis agora contando as melhores coisas imagináveis, podeis dar-vos por satisfeita por ser envolvida pela mesma imputação que o resto do Levante, e concluir que vos haveis abandonado a extremos de efeminação, preguiça e sensualidade da vida...

Por favor, senhora, escrevei-me o mais que puderdes, confiando que não há homem mais sôfrego ou mais ansiosamente atencioso de vós. Dizei-me que estais bem, dizei-me que o vosso filhinho está bem, dizei-me que o mesmo o vosso cão (se tiverdes um) está bem. Não me defraudeis de nenhuma coisa que vos agrade, porque o que quer que seja, agradar-me-á mais do que qualquer outra coisa. Sempre vosso.

Carta de Alexander Pope para Martha Blount

Para Martha Blount, 1714

Mui Divina,

É prova de alguma sinceridade para consigo que escrevo enquanto bebendo, e me disponho a falar verdade; e uma carta depois da meia-noite abunda nesse nobre ingrediente. Que o coração deva abundar em chamas, o mesmo tempo aquecido pelo vinho e por si: o vinho acorda e exprime as paixões latentes da mente, tal como o verniz faz às cores escondidas num quadro, e mostra-as no seu brilh natural. As minhas boas qualidades estiveram tão congeladas e fechadas numa constituição apagada nas minhas horas sóbrias, que é muito espantoso, agora que estou ébrio, encontrar em mim tanta virtude.
Neste extravasar do meu coração agradeço-lhe as duas cartas com que me brindou em 18 e 24 deste mês. Aquela que xomeçava com "Meu encantador Sr.Pope" era uma maravilha para além de toda a expressão; vós me conquistastes inteiramente por fim, à vossa encantadora irmã. É verdade que não sois bela, para mulher, penso que não: mas este bom humor e esta ternura são para mim de um charme irresistível. Essa face é irresistível quando adornada pelos vossos sorrisos, mesmo que não veja a coroação! [de Jorge I, em Setembro de 1714]. Suponho que não mostrareis esta carta por vaidade, tal como não duvido que a vossa irmã o faça quando lhe escrevo...



Para Teresa Blount, 1716

Senhora,

Tenho tanta estima por vós, e mais alguma coisa que, fosse eu sujeito formoso, far-lhe-ia muito de bom: mas como as coisas são o que são, o melhor que posso é escrever-lhe uma carta cordata ou um belo discurso. A verdade é que considerando o quanto e o quão abertamente lhe tenho declarado o meu amor por si, estou espantado (e um pouco agastado) que não me tenha proibido a minha correspondência, dizendo-me directamente Não me aborreça!

Não é suficiente, senhora, para a vossa reputação, que tenha as suas mãos imaculada da nódoa de tinta derramada para agradecer um correspondente masculino. Ai de mim! Enquanto o vosso coração consente em encorajar esta dissoluta liberdade de escrever, a senhora não é (de facto, não é) aquilo que tanto gostaria que eu pensasse de si - uma pessoa puritana! Sou vaidoso o suficiente para concluir que (tal como muitos dos meus jovens amigos) o silêncio de uma bela mulher é consentimento, e assim continuo a escrever.

Mas para parecer o mais inocente possível nesta carta, vou-lhe contar as novidades. Pediu-me novidades mil vezes, da primeira vez que me falou, o que alguns podiam interpretar como não esperando nada dos meus lábios; e, na verdade, não é sinal de que dois amantes estejam juntos, o serem tão impertinentes ao ponto de perguntar novas do mundo. O que eu quero dizer é que vós ou eu não estamos apaixonados um pelo outro. Deixo-a adivinhar qual dos dois é essa criatura estúpida e insensível, tão cega perante a perfeição e o encanto do outro.

Alexander Pope (1688 - 1744)


O brilhante Alexander Pope foi um poeta, ensaísta, satirista, desenhador de jardins, conhecedor de arte, escritor de cartas e pessoa de espírito. Arrastou-se pela vida com pouca saúde, dizia-se por gastar demasiado tempo com os seus livros, mas de facto tinha tuberculose óssea, contraída na infância, que o deixou enfezado, aleijado e atormentado por diversas maleitas. Suscitou muitas inimizades, mas também um largo círculo de amigos. Gostava da companhia das damas e possuía um enorme charme, mas embora as mulheres gostassem da sua atenção e inteligência, os seus sentimentos profundos nunca eram retribuídos.
Duas irmãs, Martha e Teresa Blount, eram amigas especiais, e correspondeu-se com ambas, escrevendo a certa altura a Teresa: "A minha violenta paixão pelo vosso ser e pela vossa irmã divide-se, e com a mais maravilhosa regularidade no mundo. Desde a minha infância que tenho estado apaixonado, ora por uma ora por outra, semana após semana" Pope nunca se casou, e Martha foi herdeira dos seus bens.
Seguem-se quatro cartas: uma para cada das irmãs Blount, e duas para Lady Mary Wortley Montagu, outra amiga íntima, casada com um diplomata e vivendo em Constantinopla.

segunda-feira, 19 de abril de 2010


A Vida e a Morte

O que é a vida e a morte

Aquella infernal enimiga

A vida é o sorriso

E a morte da vida a guarida



A morte tem os desgostos

A vida tem os felises

A cova tem as tristezas

I a vida tem as raizes



A vida e a morte são

O sorriso lisongeiro

E o amor tem o navio

E o navio o marinheiro




Auctora Florbella Espanca

Em 11-11-903

Com 8 annos d'Idade



(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)

domingo, 18 de abril de 2010

Peter Steele, 1962 - 2010


"Base not your joy upon the deeds of others, for what is given can be taken away."

"Não baseies a tua alegria nos feitos dos outros, pois o que te é dado pode ser tirado."

(Peter Steele)


quinta-feira, 15 de abril de 2010



R.I.P Peter Steele

Type O Negative Love You to Death



Uma grande perda no mundo da música, Peter Steele Forever!!

sábado, 3 de abril de 2010



Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:
"Sinto-me como se tivesse dois lobos lutando no meu coração.
Um é um lobo irritado, violento e vingativo.
O outro está cheio de amor e compaixão."



O neto perguntou:
"Avô, diga-me, qual dos dois ganhará a luta no seu coração?"

O avô respondeu:
"Aquele que eu alimente."

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Rio de Janeiro

Meu querido Rio de Janeiro, saudades de uma carioca que há quase 22 anos vive longe desta terra maravilhosa. Mas as recordações dos bons tempos vividos nesta linda Cidade jamais serão esquecidos.


INSÓNIA






Insónia

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.


Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carta de Amor

Mark Twain a Livy Clemens
Para a Srª. Clemens no seu trigésimo aniversário


Livy, querida, seis anos passaram desde que obtive a minha primeira grande vitória e te conquistei, e trinta anos passaram desde que a Providência se preparou para esse feliz acontecimento trazendo-te para o mundo. Cada dia que vivemos juntos vem fortalecer a minha a certeza de que jamais poderemos querer estar separados, da mesma maneira que jamais nos arrependeremos de um dia termos unido as nossas vidas. Hoje, és-me mais querida, minha filha, do que no último aniversário deste dia; eras-me então mais querida do que um ano atrás - desde o primeiro desses aniversários és-me cada vez mais querida, e não tenho qualquer dúvida de que, até ao final, continuarás a ser-me cada vez mais.
Ansiemos pelos aniversários vindouros, com a sua idade e os seus cabelos brancos, encarando-os sem receio ou abatimento, confiando que o amor que temos um pelo outro será suficiente para que sejam abençoados.
Por isso, com um imenso afecto por ti e pelos nossos bebés, eu saúdo este dia que te traz a granciosidade da maturidade e a dignidade de três décadas!
Para sempre teu
S. L. C.
Olíva "Livy" & Samuel "Mark Twain"