segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Matilha dos Herdeiros


"Quando o Sol nasce penso em ti, pois tu és o primeiro pensamento do meu dia. E quando começa a noite penso em ti, pois tu és o primeiro rosto do meu sonho. E quando pairo entre o acordar e o sonhar penso em ti, pois tu és o ar que respiro."

(carta de amor do livro "A Matilha dos Herdeiros" de Gaby Hauptmann)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Beijo Eterno


"Quero um beijo sem fim,
Quer dure a vida inteira e aplaque meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minhavida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormindo em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito o teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!


Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

(Castro Alves)

O Amor, quando se revela...


"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: para esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

As Sem-Razões do Amor


"Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabe sê-lo,
Eu te amo porque te amo,
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque te amo
bastante ou demais a mim,
porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama,
porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem ( e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)